Um teatro negro no Brasil se faz importante como forma de solapar a dominação e hegemonia branca expressa em todos os setores da vida social, inclusive nas artes e na cultura. Creio que a ninguém cabe o papel de dizer aos criadores o que devem e como devem ou não construir suas obras, óbvio, dentro de uma percepção política de relativa liberdade e de democracia possível. Quando os artistas\criadores tem interesse em estabelecer um diálogo com a sociedade, sobre suas produções e quando tais obras têm natureza pública, estão sujeitas a julgamento, crítica, registro, avaliação, análise e etc. Estas abordagens podem ser de várias naturezas e intencionalidades: competitivas, seletivas, valorativas, morais, políticas, de mercado, científicas, estéticas, etc. É provável que nos próximos anos o T.E.N., Teatro Experimental do Negro, criado no Rio de janeiro em 1944, gerido e eternizado por Abdias do Nascimento, Maria Nascimento e Guerreiro Ramos, deixe de ser a nossa única referência. Por enquanto é nela pensamos quando na busca de origem ou marco para inicio de linguagem teatral na qual, os temas, os textos, os autores e diretores, as atrizes e atores sejam negros e negras e que se dediquem a construção de uma estética que reflita artisticamente as nossas origens africanas. E ansiamos principalmente para que isso acontecer, não seja mais visto com espanto ou rara exceção, ou ainda como exotismo.

SALLOMA SALOMÃO

HISTÓRIA DO TEATRO: teatralidades negras no Brasil

SOBRE SALLOMA

 

        É compositor, educador, ator, dramaturgo autoformado e socialmente construído. Dialogando de forma tensa com a produção artística e cultura hegemônica criou uma obra que se estende dos dias atuais ao início dos anos 1980. Sete cds gravados, 3 Dvds, textos publicados em revistas e livros impressos e meios digitais. Doutorado em História pela PUC-SP, com estágio na Universidade de Lisboa. Se projeta como intelectual/artista público e educador no ensino superior. Desenvolve projetos continuados de formação de educadores/as e artistas. Cria e difunde pesquisa e música para teatro, dança e cinema por meio de inúmeras parcerias. Seus trabalhos mais recentes, participação na peça premiada “Gota D’Água Preta” (2018-2020), autoria do musical “Agosto na Cidade Murada” (2018) e atuação projeto teatral “Fuzarka dos Descalços” (Prêmio Cultura Inglesa 2019) do Coletivo dos Anjos. Além destes, teve participações nos documentários “Dentro da minha Pele” de Venturi Gomes, “Negro em Mim” de Macca Ramos e “Deixe que Digam” sobre o cantor e compositor Jair Rodrigues, dirigido por Rubens Rewald (ECA-USP). Compôs a trilha sonora autoral do Filme “Todos Mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, selecionado para o Festival de cinema de Berlim e Premiado no Festival de Cinema de Gramado em 2020.