CAPOEIRA / VOGUE

          Boa parte de nossas manifestações populares são influenciadas pelas tradições herdadas do continente africano. Muitos dos fundamentos das cosmovisões dos diferentes povos que habitavam a África e foram trazidos para cá escravizados séculos atrás, encontram-se nas nossas manifestações de cultura popular, como é o caso da Capoeira. É possível destacar alguns elementos estruturantes deste vasto universo de conhecimentos e que também são responsáveis pela sua transmissão e continuidade, como a oralidade, a ritualidade e a memória. Desde o manuseio das instrumentações que completam o ritual da capoeira, musicalidade, a prática física da capoeira, o entendimento de como construir e compor a ritualística da roda de capoeira, à Danças como: Maculelê, Puxada de Rede, Dança Guerreira, Samba de roda e outras manifestações que circulam e continuam existindo a partir do universo da Capoeira, profundamente ligada à ancestralidade.  Este universo se fundamenta, também, no modo comunitário de se organizar e existir. Existe um ditado na capoeira que afirma que “só não cai quem não joga”. Quase como um complemento, um trecho de uma música diz que, na verdade, “escorregar não é cair, é o jeito que o corpo dá”.

      Puma Camillê compreende que a Capoeira respeita a diversidade de corpos e formas de se movimentar e estar no mundo. A Capoeira é, portanto, uma forma de vivenciar os processos e a educação como prática da liberdade (como defendeu Paulo Freire). Acreditamos que a pedagogia da Capoeira, desde a perspectiva da educação popular, mostra-se como possibilidade concreta de uma proposta educativa feminista, antirracista, antihomofóbica… uma pedagogia engajada, em prol da emancipação humana.

PUMA CAMILLÊ

SOBRE PUMA

 

     Puma Camillê é guardiã, ferramenta mestra na transmissão da arte capoeira, modelo e membro da comunidade afrodiaspórica Ballroom. Sua intrepidez, gentileza e genialidade são virtudes que fazem dessa pessoa a primeira capoeirista a questionar abertamente a colonização cultural das formas de expressão e dos movimentos dos corpos na formação e na prática da capoeira, fazendo dela simultaneamente tanto alguém que amplia as fileiras de pessoas que defendem as culturas afro-pindorâmicas como culturas clássicas, quanto alguém que soma esforços para retirar as amarras coloniais impostas nessa cultura africana da diáspora no Brasil, que é a capoeira. Onde a 14 anos vem desenvolvendo estudos dentro do campo da psicomotricidade e autoconhecimento a partir do movimento e dos saberes da arte. Por suas metodologias que simplificam o aprendizado e abrangem a possibilidade de outros corpos se sentirem pertencentes, e suas habilidades de tirar o fôlego, Puma Camillê ficou mundialmente conhecido, seu sucesso o levou a viajar mais de uma vez para Seminários Mundiais, grandes eventos de formação artística, Palestras em Universidades, Shows, Parceria com Artistas, para países como: Argentina, Peru, Colômbia, México, Estados Unidos, Inglaterra, Chile, Canadá, Rússia, Hungria, República Tcheca, Alemanha, Holanda, Grécia, Chipre, Israel, Finlândia, França, Espanha, Portugal, Áustria, Itália e mais de 15 estados Brasileiros, onde Puma Camillê tanto levou, quanto também trouxe experiências e saberes que cada vez mais o possibilitaram enxergar e entender como levar seus conhecimentos para todos seres em suas subjetividades.