JANAINA LEITE

PERFORMATIVIDADES

     Partindo da problemática do "real" na cena contemporânea, o módulo Performatividades, toma noções amplamente empregadas como performatividade, cena documental, depoimento pessoal, a fim de problematizar esses conceitos e dar-lhes materialidade, entre a teoria e prática. Desde os anos 1970, o teatro vem se perguntando sobre os limites da representação e experimentando na prática o que poderiam ser essas zonas fronteiriças nas quais arte e vida, arte e ativismo, arte e acontecimento, se confundem. Essa operação, fortemente influenciada pela performance art em seu potencial de “complicadora cultural” como propõe Eleonora Fabião, procura destronar o drama, a fábula e a própria ideia de teatralidade em nome dessa busca incerta pelo real. Nomenclaturas como “teatro pós-dramático” ou “teatro performativo” respondem a essa hibridização das artes cênicas. Mas tais vertentes não esgotam a pluralidade e fertilidade da relação com o real, o documento, a biografia em cena, como o comprova exemplos muitos distintos entre si que vão do biodrama explorado pela argentina Vivi Tellas, passando pelo trabalho com os experts do coletivo alemão Rimini Protokoll, até a inclassificabilidade de um teatro como da espanhola Angélica Liddell, que alia a ostensividade de uma sígnia teatral quase barroca à radicalidade da herança de um acionismo vienense trazendo o corpo de forma explícita e em risco permanente.

          Janaina Leite, desde 2008, vem desenvolvendo uma intensa pesquisa em torno desses eixos, originando não só os espetáculos “Festa de separação: um documentário cênico”, “Conversas com meu pai” e “Stabat Mater”, mas também o livro “Autoescrituras performativas: do diário à cena”, publicado pela renomada editora Perspectiva.

SOBRE JANAINA

 

    Janaina Leite é atriz, diretora e dramaturgista. É uma das fundadoras do premiado Grupo XIX de Teatro de São Paulo e doutoranda na Escola de Comunicação e Artes da USP. Em 2008 deu início a sua pesquisa sobre o documentário e o uso de material autobiográfico em cena, resultando em diversos espetáculos e no livro "Autoescrituras performativas: do diário à cena", publicado pela Editora Perspectiva. Em 2019, estreou o espetáculo "Stabat Mater", contemplado pelo Edital de Dramaturgia para Pequenos Formatos do Centro Cultural São Paulo e ganhador do prêmio SHELL de melhor dramaturgia. Foi ainda finalista do prêmio APCA e eleito melhor espetáculo do ano pelos críticos do Jornal do Estado e da Folha de São Paulo. Na MIT-sp de 2020, principal festival internacional do país, além de Stabat Mater estar entre os selecionados para a plataforma BR de internacionalização, Janaina Leite foi escolhida como "pesquisadora em foco" tendo várias ações do festival destinadas à sua pesquisa. Trabalha com orientação de cursos, palestras e curadoria no Brasil e em países como França e Portugal.